Notícias
Numa semana que se conhece o crescimento económico no páis, são também cada vez mais os proprietários de imóveis e trabalhadores por conta própria que recorrem aos bancos de alimentos, segundo a Voedselbanken Nederland (Banco Alimentar dos Países Baixos).
A organização está preocupada com o crescente número de profissionais por conta própria e freelancers e reformados do sistema público de saúde que precisam de ajuda. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de alimentos nos supermercados está em queda. "Vemos ainda muita vergonha nisso, mas pode acontecer com qualquer um."
Num município relativamente próspero como o de Lansingerland, em Zuid-Holland nos arredores de Rotterdam, o número de pessoas que visitam o banco alimentar aumentou de 100 para 200. O aumento é notável entre os moradores que possuem casa e carro.
Essa tendência também é visível em todo o país. O perfil das pessoas que recorrem aos bancos de alimentos está a mudar, afirma Eva Hersbach, porta-voz da organização Voedselbanken Nederland. "Não consideramos o salário, mas sim o que sobra depois de pagar as despesas fixas", explica. "Portanto, é possível que alguém com casa e carro procure a nossa ajuda."
Cada Vez Mais Trabalhadores Por Conta Própria
A organização vê também um número crescente de freelancers (pessoas que se identificam como trabalhadores por conta própria, os chamados zzp'ers) nas filas dos bancos alimentares. Hersbach confirma: "Isso inclui trabalhadores que estão sem trabalho desde o inicio da fiscalização do trabalho por conta própria fraudulento, mas que ainda têm um carro da empresa que precisa de ser pago. Isso simplesmente deixa muito pouco dinheiro de sobra para comprar comida."
O número de reformados do Estado que procuram o auxílio devido ao aumento do custo de vida também cresce. "Certamente estamos a sentir os efeitos do envelhecimento da população", diz Hersbach. "Mas certamente não são apenas as pessoas que recebem assistência social que vêm aqui. Há também um número crescente de trabalhadores pobres."
Os bancos alimentares neerlandeses ainda não possuem dados sobre quantas pessoas se registaram num dos 181 bancos alimentares dos Países Baixos no ano passado. No entanto, eles observam um aumento. "O que se vê em Lansingerland, uma duplicação, o que não acontece em todos os bancos de alimentos", explica Hersbach. "O número de registos varia muito de acordo com a localidade. Contudo, observamos um aumento nos registos ao longo do último ano."
A Pobreza Aumenta
Em 2024, 144.750 neerlandeses receberam assistência alimentar do banco de alimentos. Mais de 32.000 famílias dependiam semanalmente de ajuda alimentar. "A pobreza está a piorar nos Países Baixos. Há pessoas a viver em pobreza por mais tempo e um número crescente de pessoas sem condições de comprar comida, mesmo tendo emprego. Isso é preocupante."
No final de janeiro, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística dos Países Baixos (CBS) mostraram que o número de trabalhadores pobres aumentou. Atualmente, os Países Baixos têm 175.000 trabalhadores pobres, o que representa 2% do total da população ativa.
Ainda assim, nem todos os que vivem na pobreza se atrevem a procurar ajuda num banco alimentar, diz Hersbach. "Vemos muita vergonha, mas isso pode acontecer com qualquer um. Você pode se endividar, ficar doente e depois ter dificuldades para pagar as contas."
Menos Desperdício Dos Supermercados
Por enquanto, ainda há muitas caixas cheias de mantimentos para distribuir a um número crescente de necessitados. Mas os bancos alimentares neerlandeses questionam se essa situação vai-se manter. Cada vez menos produtos sobram nos supermercados. Os comerciantes têm-se tornado muito mais eficientes no combate ao desperdício. O Albert Heijn, por exemplo, oferece aos clientes um desconto progressivo em produtos próximos da data de vencimento.
Cada vez menos produtos são desperdiçados nos supermercados. Isso é uma boa notícia, claro, mas são esses produtos que acabam nas mãos de pessoas em situação de pobreza. No momento, ainda conseguimos fornecer suprimentos suficientes a quem nos procura. Mas se a oferta de produtos excedentes continuar a diminuir a cada ano, ficará difícil para nós obtermos alimentos e nesse caso, teremos que começar a procurar outras soluções.





