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O governo neerlandês anunciou esta segunda-feira que iniciará conversas com a França sobre uma cooperação nuclear mais próxima. Sobre os ataques ao Irão, condenam a resposta do regime e compreendem a posição de Israel e Estados Unidos.
As negociações surgem na sequência de um convite do presidente francês, Emmanuel Macron, para explorar a possibilidade de partilhar o arsenal nuclear francês com países aliados, incluindo os Países Baixos.
Os ministros da Defesa, Dilan Yeşilgöz e dos Negócios Estrangeiros, Tom Berendsen, informaram a Tweede Kamer que a oferta francesa “proporciona aos Países Baixos a oportunidade de fortalecer a dimensão europeia da dissuasão nuclear junto aos aliados da NATO”. Eles citaram as crescentes ameaças geopolíticas, observando que “a guerra na Ucrânia agravou fundamentalmente a situação de segurança na Europa”.
Os ministros enfatizaram que qualquer colaboração com a França não substituiria o guarda-chuva nuclear dos EUA. "Esse continua a ser o fundamento principal da dissuasão nuclear da NATO, para a qual os Países Baixos também contribuem a partir da Base Aérea de Volkel", escreveram.
Conflito Israelo-Americano E Irão
O ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Tom Berendsen, afirmou também esta segunda-feira que os Países Baixos "compreendem" os ataques israelitas e americanos contra o Irão, mas também expressam preocupação com uma possível escalada do conflito no Médio Oriente.
Berendsen, falando em nome do governo neerlandês, descreveu a liderança do Irão como “um regime assassino” que representa uma ameaça para os países vizinhos e para o mundo. Embora tenha afirmado que o governo “compreende” a lógica por trás dos ataques de Israel e dos Estados Unidos, Berendsen não chegou a expressar apoio explícito aos ataques.
Ele condenou veementemente os ataques retaliatórios do Irão contra os estados do Golfo, afirmando que esses contra-ataques “não têm absolutamente nada a ver com este conflito”. Berendsen disse que a prioridade deve ser restaurar a estabilidade na região o mais rápido possível, acrescentando que alcançar essa estabilidade exigirá soluções diplomáticas, em vez de uma escalada militar ainda maior.
Para enfatizar a ameaça que o Irão representa, ele mencionou o programa nuclear do país e o seu apoio à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ele também observou que, segundo os serviços de inteligência neerlandeses, “o longo braço do Irão” alcançou os Países Baixos, onde Teerão esteve por trás dos assassinatos de dois iranianos em 2015 e 2017.
Questionado se os ataques dos Estados Unidos e de Israel estão de acordo com o direito internacional, Berendsen não se posicionou. Ele disse que existem “questões legítimas” sobre o assunto, mas sugeriu que o direito internacional “não é a única estrutura” para avaliar a situação, referindo-se novamente ao que chamou de “natureza assassina do regime no Irão”.
Imagem de Mehr News Agency, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons





