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O Gabinete de Análise de Política Económica dos Países Baixos (CPB) alerta que a inflação pode subir acentuadamente este ano devido à guerra no Médio Oriente, embora a economia deva manter o crescimento previsto.
Os preços do petróleo e do gás dispararam após os Estados Unidos e Israel atacarem o Irão, e este retaliou contra os países vizinhos. Com base nas expectativas do mercado do início de março, a inflação pode chegar a 0,6 pontos percentuais.
Nesse caso, a inflação seria mais de um quarto superior à projeção padrão do CPB, que ainda não leva em consideração a guerra com o Irão. Nesse cenário, o CPB prevê uma inflação para cerca de 2,3%.
Ambas as projeções apresentam um alto grau de incerteza. Permanece incerto por quanto tempo o conflito no Médio Oriente afetará o transporte de petróleo e GNL pelo Estreito de Ormuz ou restringirá a produção de energia dos países do Golfo.
No cenário base, o poder de compra, ou seja, a quantia de dinheiro que as famílias podem efetivamente gastar, deverá crescer em média 1,4% este ano. Mas mesmo que o conflito entre os EUA, Israel e Irão termine rapidamente, espera-se que esse crescimento do poder de compra estagne no próximo ano.
Embora os salários continuem a subir, a carga tributária também está a aumentar. Muitas pessoas serão empurradas para faixas de imposto mais altas, já que os limites para essas faixas acompanham a inflação apenas modestamente e as taxas do imposto de rendimento no primeiro e segundo escalão também aumentarão. Os preços do petróleo também estão a subir devido ao conflito, o que levará ao aumento dos combustíveis e inevitavelmente, ao aumento dos preços.
O CPB prevê que o número de adultos e crianças a viver em situação de pobreza diminuirá novamente este ano, seguindo a tendência dos últimos anos. Espera-se que essa queda seja interrompida no próximo ano. Caso os preços da energia continuem a subir devido ao conflito no Médio Oriente, o risco de pobreza aumentará, principalmente porque gás e eletricidade são despesas essenciais e inevitáveis. As taxas de juros Euribor dos financiamentos imobiliários também devem subir.
A economia neerlandesa deverá continuar a crescer de forma constante este ano e no próximo, de acordo com o CPB. A previsão é de que o PIB cresça 1,4% em 2026 e 1,1% em 2027, abaixo dos 1,9% registrados no ano passado. O desemprego deverá aumentar ligeiramente, atingindo 4,1% da força de trabalho em 2026 e 4,3% em 2027.
O CPB também manifestou preocupação com o agravamento das finanças públicas. O défice orçamental está a aumentar, uma vez que as despesas com iniciativas climáticas, defesa e saúde não estão totalmente financiadas. A longo prazo, os Países Baixos poderão ultrapassar o limite europeu de 3% do PIB, se os gastos se mantiveram desta forma.





